E lá estava ela de novo. Naquela mesma colina com a visão voltada para o horizonte distante.
O lugar era sempre o mesmo, mas nele, o tempo passava. E era outono. Uma enorme floresta com inúmeros tons de vermelho cobria tudo que seus olhos lhe permitiam alcançar. Em alguns pontos, uma neblina pairava e escondia as árvores. Em outro, um lago, não muito distante, refletia as cores do céu como se fosse um pedaço do próprio que estava ali no chão.
As nuvens cinzentas chovendo ao longe não conseguiam esconder toda a beleza do céu mudando de cor, por conta do pôr-do-sol. Traços em tons azulados, alaranjados, amarelados, afetavam até mesmo as nuvens distantes, fazendo conjunto com as cores da floresta, tornando tudo ainda mais inebriante para o olhar. E como se não bastasse isso, aos poucos, um enorme e completo arco-íris, abrangia tudo que via.
E diante desse cenário quase estático, ela apenas conseguia continuar muda, gravando cada detalhe, como se fosse a coisa mais importante de sua vida.
Quantas mudanças de estação havia visto naquele mesmo lugar? Porque cada uma delas sempre parecia ainda mais impressionante que a anterior? A contemplação por si só, era o suficiente para que se sentisse completa.
Pelo menos, até o próximo dia.















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